A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse recentemente que 900 milhões de pessoas em todo o mundo poderão vir a ter surdez até 2050, quase o dobro da quantidade atual, dados da Organização, apontam que no Brasil existe um total de 28 milhões de pessoas com surdez. Isso representa 14% da população brasileira.

Segundo a organização, cerca de 466 milhões de pessoas no mundo hoje sofrem com problemas auditivos - sendo 34 milhões crianças -, enquanto há cinco anos o número total de casos era de 360 milhões. A OMS disse ainda que em 2030 o número de afetados poderia alcançar os 630 milhões.

A responsável do Departamento da Prevenção da Surdez da OMS, Shelly Chadha, afirmou que um dos principais fatores que explicam o aumento de casos é o envelhecimento da população. Além disso, a médica afirmou que a persistência de determinadas infecções, o uso de remédios que danificam o ouvido e a exposição a sons fortes também estão entre os principais causadores da perda de audição no mundo.

No Brasil o professor titular de Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina (FM) da USP, Ricardo Bento, afirma que o número de pessoas com surdez em nosso Pais tende a aumentar por diversos fatores. Um deles é o aumento da expectativa de vida dos brasileiros. O Brasil possui mais cidadãos idosos do que em décadas passadas, e como entre 60 e 65 anos o indivíduo começa a ter perdas significativas de audição, intensificada com o passar dos anos, é natural que a porcentagem de brasileiros que sofrem com a perda de audição seja maior em relação aos anos anteriores.

Outro fator, segundo o professor, é a exposição ao ruído “de modo geral e não só nas grandes cidades”. Ele cita que em locais de trabalho como oficinas mecânicas, metalúrgicas e pequenas indústrias, o risco de prejuízos à audição é maior, pela falta do uso de protetor auditivo e pela ausência de fiscalização eficiente. O otorrinolaringologista também cita o uso de aparelhos de som, fones de ouvido e celulares com volumes elevados, que “vão degenerando a audição, cronicamente e ao longo do tempo”. “Hoje, pessoas com 45, 50 anos de idade já começam a ter perdas de audição”, afirma.

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